Produtores rurais de Barra e mais 15 municípios são estruturados pela Codevasf para conviver com a seca

Agricultores familiares de 17 municípios no Médio São Francisco terão acesso a 29 tratores agrícolas; investimento foi de R$ 3 milhões

Produtores rurais que convivem com os efeitos da estiagem prolongada em 17 municípios do Médio São Francisco baiano, região semiárida do estado, estarão melhor estruturados para produzir nas lavouras. Com um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) começa a disponibilizar mais 29 tratores agrícolas, com seus respectivos implementos, para beneficiar as famílias de agricultores por meio de associações ou prefeituras.

Os tratores são equipados com carreta, grade e arado. “A Codevasf, como uma empresa que promove o desenvolvimento, vem apoiando as associações de produtores familiares e os municípios na estruturação, visando facilitar o manejo da agricultura nessas comunidades. Nessa ação, investimos em 29 tratores para que as pessoas beneficiadas tenham uma melhor qualidade de vida, agregando valor ao seu trabalho e obtendo melhores resultados”, afirma Harley Nascimento, superintendente regional da Codevasf em Bom Jesus da Lapa.

Os recursos que viabilizaram a ação são oriundos do Orçamento Geral da União, destinados à Codevasf por meio de emendas parlamentares. As associações comunitárias e prefeituras que serão beneficiadas já estão definidas e contemplam 17 municípios: Baianópolis, Barra, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Central, Cotegipe, Irecê, Lapão, Oliveira dos Brejinhos, Paratinga, Santa Maria da Vitória, São Desidério, São Félix do Coribe, Serra Dourada, Tabocas do Brejo Velho, Urandi e Wanderley.

“Para nós, que trabalhamos diariamente com essas ações, é muito gratificante ver o entusiasmo do agricultor familiar ao ter um trator equipado com implementos agrícolas novos e modernos, recursos que, até pouco tempo, só estavam disponíveis em grandes fazendas, devido ao alto custo de aquisição”, diz Romilson Carvalho, responsável por fiscalizar a ação na 2ª Superintendência Regional da Codevasf, em Bom Jesus da Lapa.

Entre as entidades que serão estruturadas com as máquinas estão a Associação Beneficente da Zona Periférica e Comunidades Rurais, de São Desidério; Associação Comunitária de Mulheres Produtoras Rurais de Boqueirão, de Serra Dourada; Associação Comunitária dos Moradores de Cedro, Olhos D’água e Barro Alto, de Tabocas do Brejo Velho; Cooperativa Mista Regional, de Irecê; Associação dos Assentados na Área de Reforma Agrária do Projeto de Bom Sucesso, de São Félix do Coribe; e Associação dos Trabalhadores Rurais do Largo, de Paratinga.

Data mundial

Em toda a sua área de atuação – os Vales dos rios São Francisco, Parnaíba, Itapecuru e Mearim –, a Codevasf investiu, nos últimos três anos, cerca de R$ 1,2 bilhão em medidas voltadas para aliviar os efeitos das estiagens prolongadas sobre as comunidades rurais do semiárido. Mais de R$ 1,7 milhão de pessoas têm tido os efeitos da seca, já considerada a mais severa em um século, atenuados com as ações.

Em 1º de março é celebrado o Dia Internacional da Proteção Civil, data criada em 1972 pela Organização Internacional de Proteção Civil (ICDO, na sigla em inglês), sediada na Suíça. A organização se dedica a estimular, em todo o planeta, ações emergenciais cujos objetivos sejam prestar socorro a populações vítimas de intempéries naturais ou humanas, como avalanches, terremotos, tsunamis, inundações, estiagens, incêndios.

Este ano, o tema da celebração é “Todos com a defesa civil e contra os desastres”.

Segundo a ICDO, mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo têm sofrido, anualmente, o impacto de desastres naturais ou causados pelo homem – e o número tende a crescer em razão da degradação ambiental, às mudanças climáticas e a frequência crescente de acidentes de ordem tecnológica.

“Em 2015, desastres de larga escala causaram, em todo o mundo, prejuízos econômicos da ordem de US$ 66,5 bilhões; até o final de 2016, essas perdas já haviam crescido para US$ 175 bilhões”, alertou na última semana, em mensagem oficial, Vladimir Kuvshinov, Secretário-Geral da entidade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também criou, em 1991, seu escritório dedicado à redução de risco de desastres, oUNIDSR (na sigla em inglês), que é responsável pela “plataforma Sendai para redução de riscos de desastres 2015-2030” – um acordo internacional que contém sete objetivos relacionados à redução de desastres causados por intempéries como terremotos, inundações, secas e ciclones.

Segundo a UNIDSR, “para as comunidades forçadas a conviver com este fenômeno, as secas exigem um modo de vida que repetidamente testa sua resiliência e sobrevivência. Entre 2010 e 2011, a estiagem levou a dezenas de milhares de mortes no mundo – mais da metade, crianças menores de cinco anos – e mais de 13 milhões de pessoas no continente africano (Djibouti, Etiópia, Kênia e Somália) a uma situação de necessidade por alimentos. Alertas para a situação atual de seca extrema estão disponíveis a mais de um ano. Chuvas erráticas desde março de 2016 e a continuação do impacto do El Niño comprometeram, no ano passado, a sobrevivência de rebanhos e de lavouras”.

Em maio deste ano, um fórum internacional volta a debater a plataforma Sendai. O UNIDSR elegeu 13 de outubro como data que marca, anualmente, o Dia Internacional para Redução de Desastres.

Ascom/ Codevasf

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